Comunicado à Imprensa: Fesman, um compromisso adiado

Pantin e Dakar, 7 de agosto de 2009 Após a decisão do Presidente da República do Senegal, Maître Abdoulaye Wade, a terceira edição do Festival Mundial de Artes Negras, inicialmente prevista para 1 a 14 de dezembro de 2009, foi adiada para dezembro de 2010. A produção delegada encarregada da organização do Fesman2009, graças aos trabalhos produzidos pelo conjunto de equipes profissionais e internacionais para a realização efetiva do terceiro Festival Mundial de Artes Negras em terras africanas, pretende confirmar a sua vontade de preservar o investimento de cada um dos atores e dos públicos comprometidos. O FESMAN é hoje um impulso, um movimento que mobiliza e reúne um grande número de atores artísticos e científicos de todo o mundo que continuarão a exprimir-se com talento. Mais informação sobre o local oficial: www.fesman2009.com

Contato imprensa:

 Evanice Santos + 55 71 9944 4325 - evanice.santos@fesman2009.com.br Catherine Rosec : + 33 1 49 42 70 91 - catherine.rosec@fesman2009.com

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Adiamento do FESMAN

Durante o último Conselho dos Ministros do Senegal, o Presidente Abdoulaye Wade confirmou o adiamento do FESMAN 2009, inicialmente previsto para o período de  1º à 14 de dezembro 2009 em Dacar.

As novas datas serão anunciadas oficialmente em alguns dias.

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Delegação brasileira visita Dacar

No último dia 13 de julho a delegação brasileira, representada por Sr. Martius Chagas, Sub-Secretário  da Secretaria Especial de Políticas de Igualdade Racial, Marcel Dantas diretor de relações internacionais do Ministério de Cultura do Brasil, e  Zebrinha, coordenador artístico para FESMAN brasileiro, vieram à  Dacar  para visitar o local onde será instalado a “Vila Brasileira” durante FESMAN 2009,  o Terminus Liberté 5.

No momento o espaço “Liberté 5″  é um estacionamento de carros, mas em menos de cinco meses será o palco das aretes afro-brasileiras.  De culinária à moda, do cinema à dança, todos os aspectos da cultrua afrodesncendente no Brasil será mostrada nesse espaço da capital senegalesa.

“Com o FESMAN nós desejamos criar uma visão nova de diáspora africana e de todos os seus descendentes”. Estas palavras ditas pelo Sub-Secretário da Igualdade Racial reiteram o compromisso tomado pelo gigante sul-americano para o sucesso de FESMAN. A área de Brasil no FESMAN demonstrará da ligação forte que une o país ao continente africano. “Um símbolo que dure além do FESMAN”, como discutiram os representantes brasileiros e senegaleses durante a visita. O Festival Mundial de Artes Negras ocorrerá no Senegal de 1º á 14 de  dezembro, tendo o Brasil como convidado de honra.

Para assistir o vídeo sobre a visita da delegação brasileira à Dacar (em  francês) clique no link abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=Bb3×9ij5dVQ

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II Encontro Internacional de Livro e Literatura Infantil

FELIV_2009O segundo encontro internacional de literatura e livros infantis aconteceu em Alger  de 21 à 29 de junho de 2009 como uma prévia do II Festival Cultural Pan-africano de Alger que acontecerá entre os dias 5 à  20 de julho. O Festival ocorreu no Esplanade EL Feth de Riadh  que foi equipado para as circunstâncias com um teatro do ar livre, uma zona da conferência, zona das leituras, stands de livros e uma área de recreação infantil. Foto da esquerda para a direita: Caya Makhélé, Charly Malela, NI, Thierry Sinda e Ahlem Dekhoueche.

Este festival é divulgar a produção literária africana para o mundo. Os encontro-debates  são os seguintes: “De que os escritores africanos estão falando? ”, “editando em África com o ponto de vista dos editores”, “tradição oral nas origens da literatura africana”, “do jornalismo cultural à crítica literária”, “juventude africana, receptor, assunto e objeto literário” e “as línguas da literatura africana escrita: entre a tradição oral e a expressão literária”. Um grande número autores, editores e de homens literários de África subsariana participarão nestes debates como Mambou Aimée Gnali (Congo), Calixthe Beyala (República dos Camarões), Tanella Boni (Costa do Marfim), Tierno Monénembo (Guiné), Sami Tchak (Togo), Bios Diallo (Mauritânia), Libar Fofana (Guiné), Caya Makhélé (Congo), Eugène Ebodé (República dos Camarões), Gabriel Okoundji (Congo), para nomear alguns… Thierry Sinda, conselheiro da produção de texto para o FESMAN, e Moa Abaïd,  fez uma homenagem a Aimé Césaire.

Florilèges

Na área de Florilèges, os visitantes tiveram a possibilidade de prestigiar aos poetas, aos contadores de histórias e aos trupes numerosos do teatro no estágio, dos quais muitos são originados de África subsariana: o poeta Ndongo Mbaye (Senegal), o contador de histórias Jorus Mabiala (Congo), e o teatro teatral do Golem do troup de Bamako e de sua atriz Balkissa Maïga, para nomear alguns.

Muitas oficinas dirigiram para foram ministradas, como “a iniciação rápida e educacional à pintura africana e Latina” ministrada por Charly Malela, “leitura, interpreção e comentantários sobre a  história africana” feita por Aïcha Bouabaci e uma oficina educacional de jogos feitas por Ahlem Dekhoueche. Se em linhas gerais o Festival foi muito bom, o Ágora, que acontecia às 8h noite teve muita popularidasde. é prendida uma produção teatral – encontrou um sucesso popular tremendo.

O FELIV de Alger foi mais uma vez um sucesso e serve  como partida excelente para o festival cultural africano  de Alger, quarenta anos renascido após sua primeira edição. Deixa-nos  a esperança que o  PANAF será um grande  festival artístico no continente africano complementando o FESMAN 2009.

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A África perdeu seu filho: Michael Jackson

michaelArtista do Milênio no World Music Awards, em 2000, verdadeiro ícone dos afro-americanos, ganhador de mais prêmios que qualquer outro artista do mundo, “o Rei da pop” desaparece bruscamente em 25 de junho de 2009, deixando atrás de si vários pontos de interrogação sobre a verdade do seu estilo de vida excêntrico. Entre o seu gênio artístico e as acusações que mancharam a sua imagem, Michael Jackson não será talvez simplesmente um artista mal-entendido do seu tempo? Alguns momentos fortes da história de uma estrela que deslizou…
© Dave Hogan/Hulton Archive/Getty Images

Nascido em 1958 nos Estados Unidos, Michael Jackson de certo modo está predestinado a se tornar uma estrela internacional: começando a sua carreira profissional aos onze anos de idade nos Jackson Five, ele alcança a glória lançando cinco álbuns, todos eles agitando o mundo: Off the Wall (1979), Thriller (1982), Bad (1987), Dangerous (1991) e HIStory (1995).

Apesar da sua vida privada que provoca muitos escândalos e das suas cirurgias plásticas que lhe valem o título de Negro “esbranquiçado” de nariz engraçado, de acordo com Wil Haygood “a América negra recusou abandoná-lo, como se ela soubesse a dor que se apodera de tantas crianças cantoras, quer eles sejam negras ou brancas”.

Michael também não abandonou a comunidade negra, como a sua canção que se tornou mítica intitulada “We are the world” o ilustra. Nesta canção, disse Michael: “E a verdade, sabe, o amor é tudo aquilo que precisamos”…

Graças à sua turnê na África, durante a qual faz muitos shows, recolhem-se várias centenas de milhões de dólares a favor das vítimas da fome na África. Em 2004, depois de sua visita a Washington, para voltar a mobilizar a comunidade internacional e os legisladores americanos na luta contra a AIDS na África, Michael recebe uma distinção da associação das esposas dos embaixadores africanos sediados em Washington.

Hoje o mundo inteiro chora o rei da pop. Chega ao fim um século e uma geração desaparece com a sua morte. Uma criança que era adulta demais em relação aos seus companheiros e um adulto que era criança demais no resto da sua vida. Um homem negro-branco que não só uniu as raças através da sua música, mas também pela cor da sua pele.

Meio século foi suficiente para gravar o seu nome para sempre na Calçada da Fama e também na história da humanidade. Enquanto que a revista Paris Match lhe presta homenagem qualificando-o de “monstro sagrado”, as palavras do nigeriano Steve Ayorinde expressam a importância de Michael para a África: “A popularidade de Jackson não tinha comparação com tudo o que existe. Foi o primeiro ícone mundial e era um dos nossos. Um negro, um africano. Em todo caso, é assim que o víamos na África. Tínhamos mesmo lhe dado um nome nigeriano, “Mukaila Jamiu”, para reforçar este sentimento de integração”.

Michael Jackson pensava que “todo o mundo deveria fazer aquilo que o coração manda”. Ele mesmo fez aquilo que o seu coração mandou. Entre o seu Neverland e o seu “moon walk”, entre sonho e realidade, entre gênio artístico e tristeza profunda de uma infância perdida, talvez nós não o tenhamos realmente compreendido?

© Dave Hogan/Hulton Archive/Getty Images

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Literatura Afro-brasileira

Livro Afro-descendência em Cadernos Negros e Jornal do MNUAspectos da literatura afro-brasileira, africana e negra analisados para tema de colóquio No momento em que as discussões culturais, ainda nos bastidores, se organizam com vistas ao Festival Mundial de Artes Negras, que acontecerá no Senegal , em dezembro, o tema Literatura Afrobrasileira, Negra e Africana entra em cena.

O assunto é parte da programação cultural recomendada pela organização internacional do evento, do qual o Brasil é signatário e um convidado de honra, envolvendo o Ministério da Cultura/Fundação Palmares/ Comitês. Formado o Comitê Baiano Pró Fesman2009, grupos de trabalho se organizaram para trabalhar cada área das artes, buscando a indicação de nomes para bem representar a cultura afrobaiana, em todos os segmentos artísticos e culturais, desde os acadêmicos aos de expressões populares, não midiáticos, mas que simbolizem a alma e o pensamento do povo negro, grande maioria da população local. Para o pretendido colóquio literário local, o nome de Florentina Souza, escritora, professora de Literatura Brasileira, do Instituto de Letras da UFBA, acadêmica do Centro de Estudos Afro Orientais e estudiosa da Literatura Negra é um dos que serão convidados para se pronunciar sobre aspectos da literatura afro-brasileira, literatura negra e literatura africana. Para quem não tem intimidade com o assunto, a professora Florentina, se dispõe a explanar as diferenças de cada uma e ainda falar da produção literária, dos autores e do mercado, este um desafio, haja vista, como disse a professora, existem as barreiras do preconceito para serem derrubadas.

Numa conversa preliminar, Florentina definiu o que seja a chamada literatura afro-brasileira, identificada por usar nomes, recurso e figuras da linguagem literária em uma temática voltada para questões étnicas, sociais e culturais. E uma arte compromissada com a inclusão das tradições africanas que foram ressignificadas no Brasil, conceitua. Prosseguindo em sua conversa informativa e esclarecedora, Florentina mostra o perfil de uma literatura negra, que é aquela que abrangeria um campo transacional, pois envolveria o traço étnico-identitario de autores e autoras de vários países. Já a literatura africana não tem como marca importante questões étnicorracias e tematiza as circunstâncias histórica, política, social e cultural dos povos que habitam à diversidade que constitui a chamada África, pontua. Florentina fala ainda de um diálogo existente entre a literatura afro brasileira e a afro americana, ainda que reflitam diversidades, haja vista que as duas comparecem nos mesmos espaços editoriais antológicos em traduções de suas língua pátria, expondo temáticas a partir do cotidiano inspirador de cada um.

Quanto à questão editorial, esta ainda a ser resolvida, não basta se criar uma editora voltada exclusivamente para escritores negros e mercado idem. A necessidade é de um investimento editorial, independente de etnia, pois há um mercado em potencial, como concebe Florentina, que reclama ainda da indiferença da crítica à produção literária negra, como se ela não existisse. A reivindicação é também pela abertura de espaços na mídia impressa para a resenha dessa produção. Infelizmente, a maioria da crítica está somente voltada para a literatura tradicional canônica, descomprometida com as questões étnicas, ignorando a necessidade de através da arte, também combater o racismo, as desigualdades e discriminações contra a cultura negra.

No concernente à literatura afro brasileira, ela trata de um tema difícil para a sociedade brasileira lidar, que são as questões ligadas às relações etnicorraciais no Brasil, como observa a professora de Literatura Brasileira da UFBA. Para Florentina, fica claro que a elite intelectual dominante acha que o negro não tem capacidade de se auto-analisar e falar sobre si mesmo e do que está ao seu redor.

Questionada sobre o reconhecimento da crítica para o poeta negro catarinense, João da Cruz e Souza, cujo nome foi dado ao mais importante prêmio para a poesia brasileira, ela destaca que a crítica o aceita por achá-lo universal e identificado com os seus valores, em termos de linguagem e estilo. O poeta citado viveu no século XIX e é apontado como precursor do simbolismo no Brasil. Veio a ser integrante da Academia de Letras Catarinense, ocupando a cadeira 15. Filho de ex-escravos alforriados e educado por uma família de elite social, branca, e sofreu muita influência cultural européia, daí os militantes negros mais radicais, de agora, não se orgulharem de seu reconhecimento literário, que só veio post mortem, pelo fato de Cruz e Souza buscar elementos representativos da cor branca, como símbolo de uma expressão positiva que representa lucidez, transparência e luminosidade. Há os que saem em sua defesa, mostrando que para o poeta as cores e certos elementos que contêm um texto ou um poema, não têm os mesmos significados do que é re corrente no linguajar comum.

A professora Florentina, também sai em sua defesa e ressalta ter sido Cruz e Sousa um abolicionista sim, refletindo seu sentimento revolucionário em vários poemas.E também pelos posicionamentos nos jornais em que atuou e dirigiu, em defesa do movimento libertário, condenando o regime escravocrata imperial. Lembra ainda Florentina que o poeta, cognominado de Cisne Negro e Dante Negro, morreu na indigência, como a maioria dos poetas e literatos negros do seu tempo, sem o devido reconhecimento, quando em vida.

Cruz e Souza, apesar da formação intelectual, e do acesso à elite cultural, sofreu discriminação institucional, tendo sido rejeitado para ocupar cargo público de relevância (promotoria). O poeta morreu aos 37 anos, num povoado mineiro, louco e em absoluta pobreza, sendo conduzido em vagão que transportava cavalos, até o Rio de Janeiro, onde foi sepultado. Os quatro filhos que teve morreram ainda crianças, acometidos de tuberculose, tragédia que o levou à loucura e à morte, contaminado também por esse mal. Só em 2007 é que seus restos mortais foram abrigados no Museu Histórico de Santa Catarina, cujo espaço leva o nome de Palácio Cruz e Souza, em sua homenagem, Lamenta a escritora e acadêmica da UFBA que, assim como Cruz e Souza, outros escritores e poetas negros só são reconhecidos pos mortem, a exemplo dos abolicionistas como José do Patrocínio, Luiz Gama e Lima Barreto, e outros tantos, que em vida nunca tiveram seus textos publicados. Castro Alves, branco, denominado de “Poeta dos Escravos”, também de vida tão curta, relacionado com a abolição da escravatura, é uma outra leitura a ser apreciada pelos defensores de uma literatura negra, como sugestão do colóquio.

*Evanice Santos é jornalista e atua na Agência Afro Latina e Euro Americana de Informação e Intercâmbio.

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Fórum Nacional de Performance Negra

Bando-de-Teatro-Olodum

Oficinas de teatro, dança, música, figurino e iluminação regem o segundo dia do III Fórum Nacional de Performance Negra, que amplia os debates regionais no campo da cultura e ajuda a mapear o que existe de dança e teatro negro no país. A proposta principal é fomentar o desenvolvimento da arte baseada nas matrizes afro-brasileiras. O evento, que reúne dançarinos, atores, figurinistas, coreógrafos, entre outros artistas, que conduzem a dança e o teatro negro no Brasil, acontece desde segunda (06) e vai até quinta (09), no Teatro Vila Velha. Os participantes refletem os modos de criação, produção, finalização e veiculação das dinâmicas que predominam a prática artístico-cultural negra, através de palestras, debates, oficinas, apresentações populares e de espetáculos de teatro e dança.

Com a participação de 200 artistas de todas as regiões do país, o Fórum se configura como um espaço de articulação e troca de experiências sobre produção e captação de recursos. De acordo com o ator, diretor e organizador do evento, Hilton Cobra, mais conhecido como “Cobrinha”, para avançar nos debate e “partir para a prática”, é preciso garantir a presença dos artistas negros nos espaços de poder. “Precisamos manter lideranças comprometidas que estão fora dos espaços de cena para termos como estruturar e dar visibilidade aos grupos de dança e teatro negros”, destacou. O Fórum de Performance Negra é realizado pela Companhia dos Comuns, do Rio de Janeiro, e pelo Bando de Teatro Olodum da Bahia, desde 2005. Esta terceira edição conta com a parceria do Governo do Estado, através das secretarias de Promoção da Igualdade (Sepromi) e de Cultura (Secult).

A secretária Luiza Bairros, integrante do Fórum desde a primeira versão, acredita que, do ponto de vista da comunidade negra, o projeto possibilita a construção de produtos e atores políticos importantes nos espaços estaduais, regionais e, até, nacional. Ela acrescenta que “isso se reflete no salto de sete companhias baianas, presentes na primeira edição, para o total de 41, este ano”. Também participaram da abertura das atividades ontem, o ministro da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade (Seppir), Edson Santos, os presidentes das fundações, Cultural Palmares, Zulu Araújo, e Nacional de Artes (Funarte), Sérgio Mamberte, e da Fundação Pedro Calmon, Ubiratan Castro, os secretários Nacional da Diversidade e Identidade (SID), Américo José Córdula, e de Cultura da Bahia, Márcio Meirelles, o representante do bando de teatro Olodum, Érico Brás. Para o ministro, a cultura tem um papel essencial “na luta por um Brasil mais igual”, motivo pelo qual, as relações do Estado brasileiro com o segmento devem ser valorizadas. “Estamos cuidando hoje, de questões que, teoricamente, precisavam ter sido cuidadas desde 13 de maio de 1988”.

Já o secretário Marcio Meirelles, defende que o problema tem outras vertentes. “Precisamos discutir políticas para as artes com o público, os produtores, as casas de espetáculos e não só entre nós, gestores públicos”. Disse ainda, reforçando seu vínculo com o Bando, o Vila Velha e o Fórum, que “é preciso tornar a comunicação entre as ações artísticas culturais uma rede, que precisa estar conectada e encarar a cultura como um todo e as artes como suas seções”. O ator goiano, Luís César, comenta que a cultura precisa trabalhar as artes, garantindo o acesso aos espaços e fomentando a continuidade das bases, neste caso, as raízes negras. “É necessário contemplar a diversidade e valorizar as raízes afro, considerando-as berço de todos estes frutos culturais que vêm nascendo”. Complementando o raciocínio do ator, a dançarina Lucimara Sampaio, do estado de São Paulo acrescenta que “o certo é pensar em políticas para a cultura negra e, desta forma, conseqüentemente, estaremos construindo políticas culturais para todas as artes”. Sobre a programação O III Fórum tem uma ampla programação com oficinas, peças, palestras e danças. As oficinas de teatro serão ministradas pelo dramaturgo e ator Ângelo Flávio e pelo diretor teatral e jornalista Luiz Marfuz. Já as de música serão comandadas pelo cantor e compositor Jarbas Bittencourt e pelo músico, ator e diretor artístico, Gil Amâncio. O bailarino e coreógrafo Zebrinha e o professor e bailarino Clyde Morgan são os encarregados das oficinas de dança. Já a de figurino, é com Biza Vianna, o de iluminação, Jorginho de Carvalho (precursor da iluminação teatral no país), sonorização, Filipe Pires, e a programação visual, com o artista plástico Luís Carlos Gá. Além das oficinas, estão previstas três apresentações, que começaram ontem, com Receita, um solo com o bailarino Rui Moreira da Companhia Será Quê?, de Minas Gerais. Com coreografia de Henrique Rodovalho, o espetáculo é um encontro entre a subjetividade do olhar e do movimento.

Com direção de Fernanda Júlia, Shirê Oba é a peça prevista para hoje (07). Encenada pelo Grupo de Teatro Nata, da Bahia, a peça recorre a um discurso poético, para festejar a magia e os encantos da tradição afro-baiana, presentes no culto aos Orixás. Fechando o evento, na quinta, o III Fórum apresentará Silêncio, dirigida por Hilton Cobra e encenada pela Cia dos Comuns, do Rio de Janeiro. A peça questiona a platéia sobre o que passa pela mente de uma pessoa que durante toda sua existência sente que, a qualquer momento, poderá ser vítima do racismo.

Por Camilla França

Foto: A Tarde

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Musicais em Viena

ATT00581Youssou N’Dour, Oumou Sangare, Laurent Mignard Duke, Hank Jones … Todos esses grandes artistas vão animar o excepcional clima de festa do 29º Jazz Festival em Vienne, realizada de 27 junho à 10 julho de 2009. A festa irá oferecer todos os músicos amadores de jazz um deleite sem precedentes.

Iniciado em 1981, “Jazz à Vienne” é um festival de renome internacional que é realizado anualmente, durante duas semanas no início do verão. Este ano o festival assumiu o desafio de “pensar fora da caixa de provocar espanto e surpresa”.

Assim, estarão jutnos diferentes gêneros, estilos, épocas, gerações e correntes que foram influenciados de alguma maneira ou de outra pelo Jazz. No Festival os músicos serão escolhidos pela  originalidade.

Depois da abertura do evento houve a “Noite África”, que contou com as principais figuras da música africana, como o artista senegalês Youssou N’Dour, embaixador da Boa Vontade dO Fesnab, e o cantor do Mali Oumou Sangare.

A principal etapa do festival será no antigo  Teatro Viena e irá receber uma noite Gospel. Já no domingo, 28, haverá uma noite especial brasileira na sexta-feira, 3 jul e um Blues Noite sábado 4. Julho.

Afora os eventos privados, shows livres e espetáculos que contribuem para popularizar essa manifestação, o programa apresentou iniciativas ambiciosas como um concerto para acadêmicos, concertos, fanfarras nas ruas de Viena, vários workgroups e palestras dando exemplos da originalidade do festival.

Mas, o mais esperado de todos os dias será a noite de encerramento do Jazz no sábado, dia 10 de julho. Na oportunidade, diferentes culturas do mundo e as tendências contemporâneas se encontrarão.

Reunindo em duas semanas músicos e espectadores em uma atmosfera musical excepcional, Jazz à Vienne e sem dúvidas evento no Jazz imperdível.

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Cantar em Gorée

A Ilha de Gorée, situada próxima à Dakar, atualmente patrimônio da humanidade da UNESCO,  foi um dos principais abrigo de escravos no passado. Um segundo encontro após 1966 erá organizado no âmbito do Festival.. Neste local de contrastes onde se cruza um passado marcado pela tragédia de exploração humana com um futuro de reconciliação entre os diferentes povos haverá um concerto com artistas africanos e da diáspora.

Sob domínio português, holandês, inglês e francês, a ilha de Goreia conheceu diferentes tipos de culturas. Mas é sobretudo sob a escravatura, que durou quatro séculos, do XV ao XIX, que ela conheceu diferentes tipos de sofrimentos.

Contudo, na serenidade que reina na ilha, reforçada pelo silêncio das ruas sem automóveis, a vivacidade das buganvílias e as cores ocre, rosa e amarela das fachadas das casas coloniais do séc. XVIII, é difícil acreditar que os goreanos tenham realmente sofrido no passado.

Ilha de Gorée


Na verdade, apesar da abertura de espírito apreciável dos goreanos que faz com que atualmente vivam todos juntos (muçulmanos, cristãos, budistas e rastafarianos), sem distinção de raça, de etnia e de religião, a famosa “Casa dos Escravos” que se encontra na ilha é a melhor prova que os outros não tiveram a mesma abertura de espírito para com eles.

Segundo Boubacar Joseph Ndiaye, o mítico conservador responsável pela Casa dos Escravos na ilha de Goreia e símbolo da “memória da história do tráfico atlântico”, é preciso “lembrar-se do passado para reconstruir a dignidade”. Ndiaye faleceu em fevereiro de 2009.

É precisamente para esta ocasião, e para prestar homenagem a Ndiaye, que os descendentes de vários milhares de escravos que partiram de Goreia “entrarão em uma viagem sem volta” para voltar à sua ilha.

Esta famosa porta de onde os escravos tentavam evadir-se e que separava os povos, desta vez, os reconciliará com um dueto emocionante entre Youssou N’Dour e um artista americano de renome.

E pela segunda vez, após 1966, é na praia da ilha de Goreia que a música será a voz de um passado trágico que será certamente substituído por um futuro digno para os povos negros, como desejado por Ndiaye.

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Comitê Baiano Pró – Fesman 2009

O Comitê Baiano Pró – Fesman 2009 tem sido a caixa de ressonância mais ampla da largada nacional que se deu na Bahia, rumo ao evento que acontecerá na cidade de Dakar, capital do Senegal, de 1 a 14 de dezembro. O entusiasmo dos afrodescedentes baianos vem motivando a que outras cidades e capitais brasileiras, de contingentes negros organizados, também se articulem em direção ao país africano, que se prepara para receber pessoas do mundo inteiro.

Articulações com órgãos governamentais, instituições da sociedade civil, associações comunitárias, vêm se desenvolvendo para atingir os objetivos. Um trabalho multiplicador de subcomitês em todo o Estado da Bahia reflete a dinâmica da militância, que já alcança cerca de 37 municípios e pretende envolver outros tantos, no que o comitê considera como um fato histórico.

Reverte-se de curiosidade o desafio proposto pelo comitê baiano, em realizar uma viagem marítima político – cultural, refazendo a travessia do atlântico de forma honrosa em um contexto inverso dos navios negreiros, que transportaram os africanos de forma desumana para serem escravizados no Brasil.

A idéia é realizar um cruzeiro pelo país, antes da partida ao Senegal, anunciando a grande caravana de volta dos negros e negras, da diáspora africana no Brasil, com a bandeira da união de todos os povos africanos e da diáspora pelo verdadeiro desenvolvimento da Mãe África, que teve sua civilização subestimada, explorada e renegada por outros povos.

salvador

Pauta de trabalho

Em Salvador, o Comitê baiano tem avançado em sua pauta de trabalho, realizando reuniões permanentes (uma, ou duas vezes, por semana), dependendo das urgências de decisões. Na última reunião, dia 8 de junho, no Espaço Cultural África 900, Centro de Salvador, foram discutidas tomadas de posição de alcance nacional, envolvendo estados como Minas, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Alagoas e Recife, para fortalecer a organização popular no Brasil junto aos comitês nacional e internacional.

Também participantes da Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, promovida pela Secretaria de Política de Promoção da Igualdade Racial, de 25 a 28 de junho em Brasília, os militantes do Comitê Baiano PRÓ-FESMAN 2009 vão aproveitar este ato para realizar em paralelo um encontro entre as bases da militância negra nos estados brasileiros, a fim de difundir o evento do Senegal bem como o significado político da sua realização, em defesa de uma união de negros de todo o mundo.

O comitê compartilha da proposta panafricanista para o resgate da dignidade humana, histórica e civilizatória dos povos negros que, ao longo dos séculos, estiveram  sufocados pelas civilizações hegemônicas e colonialistas, como destacam em discursos os líderes, Samuel Azevedo, Ceres Santos, Gilberto Leal e Jussara Santana, representando o pensamento do conjunto do Comitê, formado por mais de 400 pessoas.

Neste ano de 2009, o Fesman é uma das motivações nas manifestações de rua, do 20 de novembro. Já com sua programação fechada rumo ao Senegal, algumas das atrações e devem ser exibidas, de igual modo, cartazes e faixas, anunciando o que a Bahia vai levar para os irmãos negros da África e da diáspora.

E na data maior da negritude brasileira, que é o 20 de novembro, nacionalmente comemorado como o Dia da Consciência Negra, aguarda-se uma ressonante e contundente manifestação popular, proclamando a união dos povos negros de todo o mundo. Tanto neste como nos demais movimentos populares, o Comitê deverá contar com o apoio e participação de expressões do mundo negro.

Além dessas programações, o comitê inclui ainda em sua pauta de ativismo a  realização de palestras e discussões em espaços estudantis, entidades civis e comunitárias, sobre o significado do Fesman. As organizações políticas e instituições comprometidas com a causa também serão convocadas para fortalecer o renascimento africano.

por: Evanice Santos

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